Testemunhos

"Ter estudado na Egas Moniz, no “meu tempo” o ainda Instituto Superior de Saúde-Sul, foi imprescindível para a minha carreira atual. Mais do que ensinar, a proposta desta instituição  é a de permitir ao aluno durante o curso SER o profissional que se almeja atingir durante a vida profissional. Esta experiência só é possível porque além do conjunto competências que nos são transmitidas, são praticadas, de forma prática e detalhada, as atitudes que devemos ter para podermos ser profissionais competentes.


O meu percurso académico e profissional foi diferente da grande maioria. Diferente porque estudar na Egas Moniz permitiu-me desde logo ter acesso ao mercado de trabalho e entender que a academia e “o mundo lá fora” são quase sempre sobreponíveis e devem-se complementar constantemente. Desta forma, no meu 3º ano fui selecionado para ser estagiário de marketing da Galderma – experiência fantástica que mostrou o quanto os conhecimentos aprendidos no curso estavam alinhados com a prática profissional. Tive a sorte de ajudar a desenhar e a implementar a estratégia local de um medicamento anti-acneico e nessa altura percebi que a indústria e o marketing farmacêutico seriam paixões que levaria por toda a vida. No final desse mesmo ano fui aceite juntamente com uma colega também da Egas Moniz para fazermos um estágio extra-curricular em farmácia hospitalar no Royal College of Pharmacy em Londres. Este programa coordenado pelo Prof.Dr.Ian Bates e a Prof.Dra. Catherinee Duggan foi outra experiência inesquecível: passar 2 semanas a fazer farmácia clínica e visitar pacientes todos os dias permitiu-me ampliar muito o horizonte da prática profissional do farmacêutico e perceber o quanto a nossa profissão pode contribuir de forma decisiva para o bem-estar do outro.


No ano seguinte juntaram-se mais algumas pequenas grandes conquistas: fui contratado pela Fresenius Kabi para ser também estagiário de Marketing e novamente selecionado, junto com mais 3 colegas da Egas Moniz, para um novo curso extra-curricular na Royal Danish School of Pharmacy em Copenhaga, com ênfase em sistemas de saúde. Foi quase surreal ter aulas com alguns professores que trabalhavam na OMS e a experiência de viver por dois meses numa cidade e culturas tão organizadas foi igualmente inesquecível. Neste ano a Egas Moniz havia decidido participar pela primeira vez num concurso nacional de monografias científicas de plantas medicinais (na época patrocinado pela empresa Naturis). Juntamente com mais 2 ilustríssimos colegas ganhámos os 3 primeiros lugares... nada mal para uma primeira vez!


O quinto e último ano foi pleno de emoções fortes entre tantas novas conquistas e ter que provar o gosto ácido da despedida de um lugar onde sempre me senti acolhido, abraçado e acarinhado. Fruto de uma aposta que todos jurávamos ser impossível ganhar (e ganhámos!) criámos o Projeto Pagué e este é um dos maiores orgulhos que trago comigo: a capacidade de criar do zero um projeto valoroso como foi este, onde 8 alunos de “alma indomável” da Egas Moniz, junto com a Dra. Maria do Céu Madureira (uma das melhores professoras que tive) e o botânico mais vip que conheci, Prof.Dr. Jorge Paiva se embrenharam na floresta S.Tomense para estudar plantas medicinais. Foi inebriante trabalhar ao lado de curandeiros, aprender com eles tantas coisas. Uns meses depois a RTP dedicou um programa do “Planeta Azul” ao projeto Pagué e de seguida publicámos um livro com mais de 50 monografias das plantas estudadas e a totalidade das vendas foi revertida para os curandeiros locais. Este foi sem dúvida o corolário de como o lado humano deve e poder casar-se com a objetividade e pragmatismo da ciência.


Prestes a terminar o curso foi ainda tempo de vir estagiar para este lado do Atlântico, para a Universidade Federal da Bahia em Salvador, onde passei 3 meses indiscritíveis. Durante este período baiano fui convidado a apresentar as principais diferenças entre os curricula de ciências farmacêuticas em Portugal, na Inglaterra e na Dinamarca. Recordo-me nesta altura que a reitoria da UFBA ficou bastante impressionada com a extensão do curriculum da Egas Moniz assim como da versatilidade do mesmo em função da grande amplitude das disciplinas opcionais oferecidas.


Assim que terminei o curso “ganhei” o primeiro emprego full-time foi em 2002 como gerente de Produto de Hematologia na IZASA, uma empresa pertencente ao grupo Werfen, líder de mercado em equipamentos para diagnóstico in vitro. Foi uma experiência muito boa onde pude utilizar todas as competências clínicas e de marketing farmacêutico que foram vivenciadas ainda na faculdade.


Em 2006 chegou um convite absolutamente irresistível: aos 26 anos mudar-me de armas e bagagens para o Brasil para fazer a start-up do grupo Werfen e assumir a posição de Diretor Geral da operação. Neste projeto sem dúvida que os chamados soft-skills foram determinantes: saber comunicar de forma diferente e adequada, entender a nova cultura e novos mindsets assim como desenvolver uma forte capacidade de adaptação foram muitas vezes a (única) tábua de salvação.


Em 2012 a concretização de outro sonho: tive o enorme privilégio de fazer um curso de Liderança na Harvard Business School com a duração de 6 meses, dos quais 15 dias foram de imersão total no campus em Boston. Ainda hoje é difícil descrever a sensação de se conversar com Michael Porter, Christiansen, entre muitos outros professores brilhantes na área de negócio e estratégia. Recordei-me dos tempos vividos na Egas Moniz e dos tantos sonhos que por lá sonhei.


Em 2013 fui novamente convidado a abraçar um novo e aliciante projeto: ser Country Manager da Bracco no Brasil. A Bracco é uma multinacional italiana líder de mercado em meios de contraste para exames de imagem. Novamente uma mudança enorme de cultura, de momento de empresa, e um desafio tão grande quanto irrecusável.


Hoje, enquanto escrevo este depoimento lembro-me com um sorriso no rosto de tantos desafios vividos e da enorme alegria acumulada ao longo de cada um deles. Talvez a grande herança que a Egas Moniz me tenha gravado na alma foi sempre desafiar o status quo, pensar que nada é suficientemente impossível ou pequeno para a grandeza da nossa vontade em tentar. Ensinaram-me que enquanto alguns poucos pensam em pisar fora da zona de conforto, nós devemos correr diariamente para fora dela. Mais do que um orgulho enorme de pertencer à Egas Moniz (porque ela nunca sairá de nós), carrego hoje um profundíssimo sentido de gratidão a esta instituição e a tantos professores fantásticos que ainda hoje estão entre as pessoas mais brilhantes que tive a sorte de conhecer!"

Jaime André Atalaia

Aluno do curso de Ciências Farmacêuticas 1997 – 2002
Pai, marido, cidadão do mundo e apaixonado pela vida e pela profissão

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